Acordei assustada com o lugar ao meu redor. Um lugar totalmente desconhecido, escuro e sombrio. Levantei-me e não tinha noção se estava ali de verdade ou se tudo era brincadeira de minha imaginação. Olhei ao redor, nada vi. Não havia som, o silêncio era insuportavelmente ensurdecedor. Decidi caminhar um pouco, mas parei. Avistei de longe um garotinho vestido de branco. Ele nada falava, mas alguns segundos depois ele falou algo que eu não ouvi devido a distância. Suas palavras ecoaram em minha cabeça como se ele tivesse feito uma mágica. Ele chamava por mim, sua voz era doce e aveludada, meu nome cabia perfeitamente naquele tom de voz. Agora o garoto me chamava com a mão, ele fazia sinal para que eu me aproximasse.
Comecei a andar, mas quando desviei o olhar rapidamente para o lado, o garoto sumira de minha vista. Andei mais rápido e quando percebi já estava correndo e ofegante. Parei. Parei porque senti uma presença atrás de mim, talvez a sombra que fazia sobre mim ou a respiração calma e fria que chicoteava no meu pescoço não me fizeram virar para ver quem estava me fazendo companhia. Como extinto, comecei a correr por entre as árvores. Não me atrevi nem por um segundo olhar quem me perseguia. Mas meu caçador não desistiria tão facilmente, eu estava à poucos metros na sua frente, logo ele me alcançaria.
De repente eu fui de encontro ao chão. Eu esperei o medo, a dor, qualquer coisa. O caçador tinha me atacado. Ele chegara até mim. Eu não corri o suficiente. Fiquei de barriga pra cima e me sentei no chão coberto por folhas, não havia ninguém. Meu caçador havia desistido de mim? Se sim, o que me acertara tão rudemente? Olhei para minha barriga e a flecha que a acertara me dava uma certa náusea. Deitei novamente devido à tontura. Com muito esforço tirei a flecha que me abatera. Logo que olhei pra frente, avistei novamente o meu caçador. Ele usava capuz e tinha um arco na mão. Comecei a correr novamente. Muito longe na minha mente, uma voz me ajudava com a direção. Reconheci a voz. O garotinho de branco falava rapidamente, sua calma se fora. Além de mim, o rapazinho lutava pela minha vida também. "Olhe por onde anda", repetia constantemente. "Você vai encontrar uma caverna onde poderá se esconder, fique lá por algum tempo. Tudo vai ficar bem.". Eu confiava no garotinho. Corri sem olhar pra trás. Avistei bem longe uma caverna quase coberta de musgo. Entrei e esperei.
Mas o som que eu menos queria ouvir tomou a caverna. Uma respiração calma que se aproximava cada vez mais. Os passos cada vez mais fortes. O medo tomava conta dos meus movimentos. Não havia saída. Senti a mão fria e grande no meu pescoço. Gritei.
Acordei assustada. Tivera outro pesadelo. Dois em uma noite. Novidade! Estava acostumada a ter cerca de cinco pesadelos. Mas aquele tinha sido bastante real. Acordei encharcada de meu próprio suor. Fui ao banheiro prepara meu banho. Liguei a banheira. Virei. Vi o caçador. Gritei como no sonho.


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