sábado, 18 de maio de 2013

Capítulo 2 - Cruzadas da vida

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 - ahhhhhhhhhhhh - gritei desesperadamente quase saltando da cama quando percebi que tudo foi apenas outro pesadelo.
  - Liz? O que aconteceu? Outro pesadelo? Eu consegui ouvir seu grito do meu quarto, eu juro. - falou minha irmã em um tom desesperado colocando a mão no meu joelho enquanto sentava-se.
  - Desculpe se eu te acordei. Eu ainda estou um pouco assustada. - falei ao mesmo tempo que levantava-me para beber algo.
  - Tudo bem. Você vai conseguir voltar a dormir?
  - Eu vou tentar.
  - Então tenha uma boa noite. - disse ao sair do meu quarto fechando a porta.

  Tanto eu como a Sammy sabíamos que eu não iria pegar no sono novamente. Toda vez que eu tinha pesadelos naquele nível, eu não conseguia pregar o olho em um só momento. Procurei me distrair com algo para não voltar a dormir, mas minhas forças não foram o suficiente. Meus olhos fechavam suavemente e à medida que as coisas sumiam de minha vista, uma imagem vinha a minha mente e ia ficando cada vez mais nítida. Eu agora poderia reconhecer aquele garotinho em qualquer lugar que eu o visse. Ele tinha pele morena, traços muito bonitos, cabelos pretos, realmente assemelhava-se à um anjo. O meu anjo. Ele erguia a mão para que a pudesse pegar, mas acordei da minha pequena soneca com o som do despertador. A soneca havia durado mais do que eu imaginei e se eu não levantasse logo, eu me atrasaria para a escola.

  Levantei e dei uma boa espreguiçada  Olhei pra o relógio mais uma vez e pensei: "ainda tenho tempo". Corri para o banheiro. Banhei. Escovei os dentes e meus cabelos. Coloquei uma roupa bem legal -http://www.polyvore.com/school_cap/set?id=82578426 -  e desci as escadas em alguns segundos. Sentei à mesa onde já estavam acabando o café meu pai e minha irmã mais velha.
  - Bom dia, pai. Bom dia, mana. - Cumprimentei com um sorriso enorme.
  - Bom dia, minha filha. - falou meu pai beijando minha testa e voltando ao seu jornal matinal. Ele basicamente não começava a manhã oficialmente se não estivesse com o velho jornal na mão. - Dormiu bem? Eu ouvi você gritando novamente...
  - velhos e comuns pesadelos, pai. Apenas isso. - disse com um sorriso fraco. - Não se preocupe. Droga! Estou atrasada. Eu preciso ir. Tchau, pai. Tchau, mana. Tive que correr para alcançar o ônibus que parecia sempre cansado de me esperar. Sentei lá no final onde um único lugar vazio. Coloquei meu fone e esqueci por uns minutos o mundo.


O ônibus parou e eu me preparei para descer. Ainda no ônibus eu já consegui ver alguém que me esperava eufórica do lado de fora. Não consegui descer o último degrau quando alguém me puxou. Karolyne estava impecável como sempre. Ela era muito mais alta do que eu e consideravelmente muito mais bonita do que boa parte da escola. Mas duvidei que naquele dia ela perderia para alguma líder de torcida. - http://www.polyvore.com/cgi/set?id=82580507&.locale=pt-br.
  - Você tem noção de quanto tempo eu esperei por você, garota? Pensei que iria faltar no primeiro dia de aula. - falou Karolyne depois de um longo e esmagador abraço.
  - Você sabe... eu perdi completamente a noção do tempo. A culpa é sua. Você fica falando do Alex o tempo todo, fui dormir tarde ontem.
  - Chega de Alex pra mim. - falou ela pisando forte. Eu já conhecia aquela mania. Ela não iria parar de reclamar do Alex, seu ex-namorado. - Eu perdi muito tempo com esse moleque. Não quero falar nele se não se importa. Mas você não sabe quem está lá na frente?
  - Quem? - perguntei realmente curiosa.
  - Mike Kyle. Seu ex ou ainda namorado. Acho que ele está procurando por você. - falou Karol caminhando vagarosamente para podermos conversar.
  - Sério? Ou melhor... - falei tropeçando nas palavras. - Pouco me importo. Ele pode ficar aqui ou no Canadá se ele quiser. Não ligo mais pra ele.
  - É incrível que você ainda não saiba disso, mas você mente muito mal. Está escrito na sua testa com letras de neon: "Mike, por favor, fale comigo". Seu desespero é desolador, minha querida. - debochou Karol.
  - Eu não estou desesperada. Veja você mesma. - deixei ela para trás e caminhei mais rapidamente para passar ao lado do Mike. 
  Metade do caminho percorrido, quando uma mão agarrou no meu pulso me puxando para trás. 
  - Você vai realmente passar por mim sem dizer oi? - perguntou ele. Estávamos perto de mais, eu até poderia sentir seu hálito de menta quente contra minha face.
  - Você realmente se importa? - fiz força para que ele largasse meu braço, mas foi uma ação inútil.
  - Sim. Eu me importo. - respondeu ele afrouxando a força que ele fazia contra meu pulso. Aquilo me deixava um pouco mais irritada. - Não entendo porque você tem raiva de mim e nem...
  Mike não conseguiu terminar o que dizia quando alguém chegou abraçando-o muito forte. Reconheci a garota pelo cabelo louro oxigenado.
  - Mike! Como eu senti sua falta! - em questão de segundos os dois estavam aos beijos. Afastei-me um pouco e isso chamou a atenção do Mike que parou o beijo na metade.
  - Espera, Liz. Eu preciso...
 Novamente o discurso do Mike foi cortado. Virei as costas e fui de encontro com a parede. Ou algo bastante duro.
  Minha mochila caiu no chão junto com a desastrada que eu sou. Levantei-me com a ajuda do garoto em quem esbarrei.
  - Desculpe, eu deveria olhar... - não terminei a frase. Olhei para o cara na minha frente. Ele era incrivelmente lindo. Alto, forte, pele morena, vagamente familiar. Mas o rosto era sério. - ... por onde ando.
  - Tudo bem. - falou o cara ainda com o olhar sério. Seu tom de voz combinava com seu estilo fechado. - Espero que não tenha se machucado.
  - não. Obrigada. Acho que eu estou indo, né? - falei totalmente sem graça quando ele entortou a cabeça ligeiramente para o lado. Ele devia estar pensando: " Que garota estranha.".
  Me despedi e me dirigi ao armário.


 

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